Perfil

Rolf Guenther Sprung,

inventor do marketing socioambiental


Não sou comunista, socialista ou capitalista, acredito na divisão equilibrada de trabalho, tecnologia e preocupação com meio ambiente”, afirma Rolf.


Sabem quando dizem que a nossa casa fala muito sobre nós? Bem, o local de trabalho também. Na sala de espera da SOS Sustentar um mural de fotos já adianta detalhes da vida desse empreendedor de sucesso. Imagens de família, da agricultura familiar, da vida política e sindical deste idealista. Quando criança gostava dos filmes de bang bang americanos, das pequenas revoluções do velho oeste. Sobre sua cabeça, um quadro de Che Guevara.


Foto: Glauco Benetti

Toda a trajetória de Rolf está documentada e exposta na empresa


Agricultor familiar natural de Blumenau, Rolf Guenther Sprung trabalhava com junta de bois e máquina pica-pau (plantadeira) na terra do pai. Concluiu o curso técnico de Construção Civil incentivado pelo chicote da mãe. Aos 16 anos trabalhou como auxiliar de despachante e em seguida em uma empresa de laticínios. “Tive a oportunidade de ir trabalhar na cidade e esse emprego foi a minha base para meu trabalho atual”, diz.

No auge da suinocultura, voltou para o meio rural e começou uma granja de suínos com quatro porcas criadeiras e um reprodutor. Plantando melancia, vivendo da psicultura fundou o primeiro “pesque e pague” de Blumenau, mas então começaram as dificuldades na atividade. Com a falência de um grande abatedouro, a produção de suínos, marrecos, frangos foi absorvido por pequenos frigoríficos menores que surgiram da necessidade.

No final dos anos 90, com início da fiscalização ambiental e sanitária, os abatedouros foram fechados. E foi aí que o membro do sindicato se tornou presidente da entidade. Buscou parcerias com a prefeitura do município para buscar soluções para agricultura. Aí começa, e daí em diante, a história deste empreendedor se mistura com a da própria empresa SOS Sustentar. Mesmo que não consciente, as ideias que hoje movem a empresa já começavam a brotar. Com os planos de incentivo produtor foi tirado da figura pejorativa de colono e valorização do papel deste eixo da economia teve papel fundamental na ação do sindicato. “Fizemos o plano de desenvolvimento rural sustentável, acreditamos nesse plano e fizemos a mudança acontecer”, conta Rolf.

“O SOS Sustentar surgiu porque na época todos os projetos desenvolvidos dependiam especificamente de recursos públicos, que são engessados e escassos. Como se tem a grande necessidade de revolucionar o meio rural, viemos pensando de que forma conseguíramos mais recursos”. Foi então que, em 2005, o agricultor familiar tornou-se um empreendedor com a ideia de Marketing Socioambiental. Que se resume em: a empresa investe em projetos sociais e com isso ela adquire a simpatia do consumidor. Nos produtos da empresa que contribui com os projetos sociais, vai o selo SOS SUSTENTAR e assim o consumidor pode identificar, e comprando esses produtos está ajudando indiretamente as agroindústrias familiares. Pois os valores são revertidos para projetos, em sua maioria para melhorar a qualidade de vida e permanência no campo dos agricultores.


A grande sacada está em: as pessoas continuam comprando o que compravam, não pagam mais, nem perdem em qualidade, e a empresa continua investindo em projetos sociais”, explica Sprung.


Para buscar a sustentabilidade, cada ser humano teria que plantar 11,6 mil árvores. “Não tem como fazer, mas cada consumidor pode participar desse processo comprando os mais de 500 produtos que levam o selo do projeto”.

E é através de um depoimento de um agricultor que percebemos como é importante e porque Sprung continua seu trabalho. “Agora meu filho pode trazer a namorada aqui em casa, nós já temos banheiro”, fala o produtor que oculta o nome por constrangimento.

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