Nasce uma promessa
A maternidade pode mudar completamente a cabeça de uma mãe

Matheus nasceu com 2,7 kg, cabelo e olhos escuros. Uma nova vida sempre traz alegria e esperança, mas para esta mãe, Salvadora, trouxe também a fé de que um futuro melhor é possível. A personagem desta história é uma mãe atípica em certos aspectos, mas também é tradicional e resguardada em outros, principalmente no amor incondicional ao filho. Amor que transparece nas trocas de carinho e sorrisos com Matheus (nome fictício). Ele transporta a mãe para um lugar diferente das quatro paredes onde vivem. “Matheus está aí, dia-a-dia me dando forças para motivar minha mudança”, diz.
Salvadora Cardoso, de 32 anos, cumpre pena no Presídio Regional de Chapecó (no bairro Santa Maria). Condenada a seis anos de reclusão, ela compartilha as alegrias e as angústias com a própria mãe, Mercedes, que também está presa. “Ser mãe no presídio dói. Saber que meu filho está aqui por um erro meu é algo que não tem descrição”, conta. Ela é natural de Ponta Porã, interior do Mato Grosso do Sul, e toda a família está há 600 km de distância. Por isso, este dia das mães será difícil tanto para Salvadora, como para Mercedes. “Tenho mais quatro filhos, que vivem com os avós paternos e não têm como nos visitar”, lamenta Salvadora.

Salvadora projeta um futuro melhor
ao lado do filho
Os desafios desta mãe não terminam aí, ela não suporta o peso das emoções e se entrega ao choro silencioso. Lágrimas mudas revelavam o medo da separação. A Lei nº 11.942, sancionada em 2009, institui que “Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 meses de idade”. Em três meses Mateus deve deixar o cárcere. “Não sei ainda como vai ser. Ele fica com minha família ou vai para um abrigo até que eu saia da prisão para requerer a guarda”, diz. Mesmo ciente da separação iminente, a mãe tenta não pensar no assunto e, enquanto os dias permitirem, Matheus é embalado no colo de Salvadora.
Mãe e filha foram presas por tráfico de drogas. “Sei que as pessoas lá fora devem pensar que merecemos o que aconteceu. Eu sei que errei. Mas tudo o que eu fiz na época, foi pensando no bem dos meus filhos. A necessidade de sobreviver nos obriga a fazer coisas extremas”, conta. “E agora eu penso diferente, vou terminar meus estudos, arrumar um bom emprego e ensinar para meus filhos o que é certo e errado”, projeta.
Ela se despede com um “vai com Deus”, mas fica claro que é mais do que apenas isso. É uma frase corriqueira, mas quer dizer “se cuide”, “se alimente bem”, “siga o caminho do bem”, e todas aquelas recomendações usuais, coisa de mãe.

*O nome da criança foi substituído por um nome fictício para preservá-lo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Itá terá a maior tirolesa da América Latina

Uma cicatriz na alma

Editorial “Tempo, esse devorador de coisas”