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Rubem Alves

As razões do amor "Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa : "A rosa não tem"porquês". Ela floresce porque floresce." Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema As Sem-Razões do Amor. É possível que ele tenha se inspirado nestes versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. "Eu te amo porque te amo..." - sem razões... "Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo." Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. "Amor é estado de graça e com amor não se paga." Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que "amor com amor se paga". O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo....

sexo

é bom, ruim, estranho e poderoso

Não basta

Se eu vejo um carro igual ao seu, já prendo a respiração. Se lembro de um momento bom, logo lembro que você o estragou em seguida. Por que será que gosto de você? Será pela sua bunda? Ou o medo da solidão? O azar ou a preguiça? Ou ainda suas más atitudes? Já não sei mais. Já não gosto mais. Sabe quando você encosta em alguém, pega na mão e sente uma energia? Sabe quando essa energia, sozinha, já não é mais suficiente? Sabe quando você quer apagar alguém, sem deixar o mínimo traço? Sabe? A programação da TV no domingo é a minha tortura. A solidão das noites, meu açoite. Um cigarro a mais, mais um punhado de terra, gosto menos de você. O que me consola é que sua cama, em algum momento, fica vazia. O que me entristece é que a minha também. Respeito não sai de moda. Moda não exige respeito. Não respeite a moda. Fútil e sem vergonha. Inútil e inexperiente. Forte e falso. Magro e transparente. Leve e condenado. Gordo e che...

Narcisista

... gosto do meu jeito quando estou contigo desperto com teu olhar você traz a tona o que há de melhor em mim gosto de mim assim, junto de ti ... a saudade que que sinto é fruto do sentimento que exalo quando não está por perto ... o que tu és então? um catalizador um espelho ou nada

Diálogo dos amantes

- Você já amou? Amar de verdade, só pela beleza do gesto? - Sim, eu já amei. Pela beleza do gesto. - Você já mordeu? A maça com todos os dentes? Pelo sabor do fruto, pela doçura e o pelo gosto? - Também, mas a maça era dura, e quebrei os dentes. Essas paixões rápidas, imaturas. - Mas o beijo maduro apodrece-nos a língua. - Ao querer amar, pela beleza do gesto, o verme da maça nos escorrega entre os dentes, rói o coração, o cérebro e o resto. Esvazia-nos lentamente. - Mas quando ousamos amar, pela beleza do gesto, esse verme da maçã, que escorrega entre os dentes, toca-nos o coração, o cérebro e deixa o seu perfume lá dentro. (quote les chances d'amour)

umbigo

Carlos, the bot Acordar, comer, trabalhar, magoar, amar, esperar e comprar. Tudo isso, Carlos fazia com um certo gosto. Fazia tudo o que deveria e o que não, com amor à vida e a todos os sentimentos e sensações que tinha. Carlos parecia saber onde ia, mas estava perdido. Não pertencia a nada.
Este blog já não existe mais. Nem sei para onde a autora foi. Eu a acompanhava em silêncio, mas agora revelo alguns textos que salvei. Mea Culpa. Texto 1 cap. III Ela entrou e despejou todas as coisas que tinha na mala em cima da mesa. Procurava algo e o facto de não o encontrar deixava-a nervosa. Da sua mesa ele via os olhos dela a brilharem. Ía chorar. Logo de seguida toda aquela agitação parou, tinha encontrado o que procurava. Um papel dobrado em quatrou ou seis partes que ela, apesar de toda a pressa de há segundos para o encontrar, lentamente desdobrou. Seria talvez uma carta, à medida que os seus olhos mudavam de linha ora sorria ora um choro temia iniciar. Quando acabou pediu um café e saíu. O papel ficou esquecido na mesa. Ele levantou-se e pegou nele. "Amo-te, mas não posso mais. Adeus". (http://marieeleanor.blogs.sapo.pt/77844.html) Diálogo 2 - Já compraste as batatas e o arroz? - Já e gosto de ti... - O arroz não era deste, eu disse-te que era arroz agulha! - Desc...