Minha avó estava contando, no último final de semana, as minhas manias de incendiário. Não é brincadeira, tive uma queda e tanto pelo elemento da destruição e renovação. Será que é porque sou leonino? Não, deve ser porque é perigoso. Segundo ela, e eu lembro vagamente, ateei fogo em quatro lugares da casa:
1) Em um calendário, que ficava pendurado sobre um butijão de gás;
2) No próximo calendário que substituiu o primeiro;
3) Em algumas bonecas de porcelana da minha mãe;
4) Atrás de um sofá (lugar onde eu costumava me esconder quando colocava fogo nas coisas);
Realmente não estava mentindo.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Piromania
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"Sou do tempo que se ouvia música sem saber como era a cara do cantor. Gostava ou não da música".
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Orelhas de burro
começo.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Perfil
Rolf Guenther Sprung,
inventor do marketing socioambiental
“Não sou comunista, socialista ou capitalista, acredito na divisão equilibrada de trabalho, tecnologia e preocupação com meio ambiente”, afirma Rolf.
Sabem quando dizem que a nossa casa fala muito sobre nós? Bem, o local de trabalho também. Na sala de espera da SOS Sustentar um mural de fotos já adianta detalhes da vida desse empreendedor de sucesso. Imagens de família, da agricultura familiar, da vida política e sindical deste idealista. Quando criança gostava dos filmes de bang bang americanos, das pequenas revoluções do velho oeste. Sobre sua cabeça, um quadro de Che Guevara.
Foto: Glauco Benetti

Toda a trajetória de Rolf está documentada e exposta na empresa
Agricultor familiar natural de Blumenau, Rolf Guenther Sprung trabalhava com junta de bois e máquina pica-pau (plantadeira) na terra do pai. Concluiu o curso técnico de Construção Civil incentivado pelo chicote da mãe. Aos 16 anos trabalhou como auxiliar de despachante e em seguida em uma empresa de laticínios. “Tive a oportunidade de ir trabalhar na cidade e esse emprego foi a minha base para meu trabalho atual”, diz.
No auge da suinocultura, voltou para o meio rural e começou uma granja de suínos com quatro porcas criadeiras e um reprodutor. Plantando melancia, vivendo da psicultura fundou o primeiro “pesque e pague” de Blumenau, mas então começaram as dificuldades na atividade. Com a falência de um grande abatedouro, a produção de suínos, marrecos, frangos foi absorvido por pequenos frigoríficos menores que surgiram da necessidade.
No final dos anos 90, com início da fiscalização ambiental e sanitária, os abatedouros foram fechados. E foi aí que o membro do sindicato se tornou presidente da entidade. Buscou parcerias com a prefeitura do município para buscar soluções para agricultura. Aí começa, e daí em diante, a história deste empreendedor se mistura com a da própria empresa SOS Sustentar. Mesmo que não consciente, as ideias que hoje movem a empresa já começavam a brotar. Com os planos de incentivo produtor foi tirado da figura pejorativa de colono e valorização do papel deste eixo da economia teve papel fundamental na ação do sindicato. “Fizemos o plano de desenvolvimento rural sustentável, acreditamos nesse plano e fizemos a mudança acontecer”, conta Rolf.
“O SOS Sustentar surgiu porque na época todos os projetos desenvolvidos dependiam especificamente de recursos públicos, que são engessados e escassos. Como se tem a grande necessidade de revolucionar o meio rural, viemos pensando de que forma conseguíramos mais recursos”. Foi então que, em 2005, o agricultor familiar tornou-se um empreendedor com a ideia de Marketing Socioambiental. Que se resume em: a empresa investe em projetos sociais e com isso ela adquire a simpatia do consumidor. Nos produtos da empresa que contribui com os projetos sociais, vai o selo SOS SUSTENTAR e assim o consumidor pode identificar, e comprando esses produtos está ajudando indiretamente as agroindústrias familiares. Pois os valores são revertidos para projetos, em sua maioria para melhorar a qualidade de vida e permanência no campo dos agricultores.
“A grande sacada está em: as pessoas continuam comprando o que compravam, não pagam mais, nem perdem em qualidade, e a empresa continua investindo em projetos sociais”, explica Sprung.
Para buscar a sustentabilidade, cada ser humano teria que plantar 11,6 mil árvores. “Não tem como fazer, mas cada consumidor pode participar desse processo comprando os mais de 500 produtos que levam o selo do projeto”.
E é através de um depoimento de um agricultor que percebemos como é importante e porque Sprung continua seu trabalho. “Agora meu filho pode trazer a namorada aqui em casa, nós já temos banheiro”, fala o produtor que oculta o nome por constrangimento.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
"todos os problemas dos meus amigos autodestrutivos têm origem amorosa. O reflexo no trabalho é inevitável. O efeito cascata termina nas e com as finanças. E mesmo os mendigos borram o pó do rosto (do asfalto) com lágrimas. E olha que nem conheço tanta gente assim" (autor: meu irmão).
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Summer Soul Festival 2012


Florianópolis - Quando cheguei
Desde que a cantora inglesa Rox subiu ao palco, faltando 15 minutos para as 23h, até a despedida de Bruno Mars, quatro horas depois, a edição catarinense do Summer Soul Festival foi uma experiência daquelas que se conta para os filhos quando as bandas acabam.
Vestida de preto e com cabelos clareados, Rox estava impecável. A dama do jazz e sua banda atacavam com arranjos soul, pop e reggae. Ela cantou os sucessos “I Don't Believe” e “My baby left me", que já integrou a trilha sonora da novela brasileira, "Araguaia". A cantora também fez um cover de uma música da Rihanna, “Only girl (in the world)”. Rox elogiou o público brasileiro. “Foi a semana mais fantástica da minha vida”. Ela carrega ainda a responsabilidade de ser chamada de a nova Amy Winehouse pela crítica. Ao fim do show, ela fez questão de assistir os outros espetáculos do camarote e recebeu alguns fãs.
Mesmo revezando o palco, não houve grandes atrasos nas apresentações. A britânica Florence Welch apareceu no palco em seguida e foi ovacionada. Chorou por duas vezes com a recepção do público e pediu “por favor, me recebam de novo aqui”. Florence and the Machine fez um show imponente, e as músicas da cantora tomaram vida própria. Que voz emocionante e forte. Conseguia chegar e atingir o público, especialmente quando cantou “You Got the Love”, “Shake It Out” e “The Dog Days Are Over”.
Para encerrar o festival, o havaiano Bruno Mars levantou a plateia com o pop cheio de ginga, refrões melódicos e grudentos. Os fãs deveriam receber parte da bilheteria do show. “Billionaire”, “The Lazy Song” e “Grenade” foram um coro, Bruno estendeu o microfone em direção ao público e curtiu o sucesso. Inúmeras vezes comparado a Michael Jackson, ele concorre a seis Grammy’s no próximo mês. Esse foi o último show da turnê do primeiro álbum do cantor, que pediu licença ao público para cantar algumas músicas de gosto pessoal. “Roxanne” do grupo The Police e também uma mistura de Nirvana, Michael Jackson e White Stripes. Destaque especial para o ótimo conjunto de metais. Bruno brincou com a plateia, mostrou que canta e toca de verdade e acabou encerrando a noite em grande estilo com “Talking to the Moon”, que fez parte da trilha sonora da novela “Insensato Coração”. Na volta para o hotel fiquei procurando algum defeito nas apresentações, mas me dei por vencido. O festival na ilha deixou um gostinho de quero mais e especula-se que na próxima edição, a britânica Adele será a principal atração.
O que é a música Soul?
Soul (em inglês: alma) é um gênero musical afro-americano que nasceu durante o final da década de 1950 e início de
Quem é Soul?
Não citar os precursores do movimento é impossível, como Ben E. King, Ray Charles, Solomon Burke, Jackie Wilson, Sam Cooke e os Isley Brothers. Little Richard e Chuck Berry também entraram na onda no final dos anos
O soul está no Brasil?
Tim Maia é soul, assim como Sandra de Sá, Toni Tornado, Ed Motta, Jorge Bem Jor e Paulo Diniz.
Eu conheço Soul?
Conhece. Não há quem nunca tenha ouvido a música “My Girl” do grupo The Temptations, que foi regravada pelos Beatles e também pelos Rolling Stones. E também os sucessos de Tim Maia, “Primavera” e “Gostava Tanto de Você”.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
"Esperar
ligação é pior que estômago vazio"
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Um pelo outro somos ignorados:
Sou filha de regiões imaginárias,
Tu pisas mundos firmes já pisados.
Trago no olhar visões extraordinárias
De coisas que abracei de olhos fechados…
Em mim não trago nada, como os párias…
Só tenho os astros, como os deserdados…
E das riquezas e de ti
Nada me deste e eu nada recebi,
Nem o beijo que passa e que consola.
E o meu corpo, minh’alma e coração
Tudo em risos pousei na tua mão!…
…Ah! como é bom um pobre dar esmolas!…
(Florbela Espanca)
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Rubem Alves
As razões do amor
"Eu te amo porque te amo..." - sem razões... "Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo." Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como a flor arrancada da terra. "Amor é estado de graça e com amor não se paga." Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que "amor com amor se paga". O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo.
"Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários... Amor não se troca... Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo..." Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever estes versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. Mas eu, talvez por não estar apaixonado (o que é uma pena...), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas numa língua que desconhecemos.Destas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento, e se perguntava: "Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos se nem sei decifrar minha escrita interior? A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco." O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá?
Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor - frágil bolha de sabão - não contente com sua felicidade inconsciente, se deixou morder pelo desejo de saber. O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. Kierkegaard comentava o absurdo de se pedir aos amantes explicações para o seu amor. A esta pergunta eles só possuem uma resposta: o silêncio. Mas que se lhes peça simplesmente falar sobre o seu amor - sem explicar. E eles falarão por dias, sem parar... Mas - eu já disse - não estou apaixonado. Olho para o amor com olhos de suspeita, curiosos. Quero decifrar sua língua desconhecida. Procuro, ao contrário do Drummond, as cem razões do amor...
Vou a Santo Agostinho, em busca de sua sabedoria. Releio as Confissões, texto de um velho que meditava sobre o amor sem estar apaixonado. Possivelmente aí se encontre a análise mais penetrante das razões do amor jamais escrita. E me defronto com a pergunta que nenhum apaixonado poderia jamais fazer: "Que é que eu amo quando amo o meu Deus?" Imaginem que um apaixonado fizesse essa pergunta à sua amada: "Que é que eu amo quando te amo?" Seria, talvez, o fim de uma estória de amor. Pois esta pergunta revela um segredo que nenhum amante pode suportar: que ao amar a amada o amante está amando uma outra coisa que não é ela. Nas palavras de Hermann Hesse, "o que amamos é sempre um símbolo". Daí, conclui ele, a impossibilidade de fixar o seu amor em qualquer coisa sobre a terra..."
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