Orelhas de burro

Isso não é um texto, é uma página virada. Escrita a lápis. Uma daquelas páginas de caderno da quarta série onde você separa a sílaba da palavra e volta pra ver onde parou, para continuar na próxima. Diferente das anteriores, você nem tentou apagar a palavra para ver se cabia. As primeiras estão cheias de borrões e palavras apertadinhas, mas essa que se foi, não. Separar as palavras e continuar também é certo. Dessa vez o tracinho ficou no lugar certo, no ladinho da palavra que, seguiu sozinha e desmembrada. Precisa treinar a caligrafia, mas o importante é que você, e mais ninguém, entenda. Isso vai ser útil quando, mais tarde, for anotar a senha do banco ou ainda, recados para o seu chefe. Ele vai precisar de você para decifrar o código. Sem falar que o seu colega pretencioso não vai te substituir. Por isso, anote tudo a mão. Nada de computadores. Mas porque estamos falando disso? Porque a página virou.

re-
começo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Itá terá a maior tirolesa da América Latina

Uma cicatriz na alma

Editorial “Tempo, esse devorador de coisas”