Com estrelas

Ele sabe

Ele estava sentado sob um telhado, sendo cauteloso, protegendo-se do sereno da madrugada, apreciando a noite. Não estava bebendo, nem fumando, tão pouco dividindo a cena, mas não estava sozinho, tinha a própria companhia. Respirava fundo, para sentir o frio por dentro. Queria saber se a mudança de temperatura ou a bela noite o distrairia. Não, os pensamentos que tinha eram intensos demais e prudentes de menos. Não se importava se eles eram sujos ou simplesmente se eram lembranças de um passado não tão distante. A noite estava linda, agradavelmente fria e propícia para clarear ideias de nova vida e novos assassinatos. Ele está crescendo e seus problemas não são mais os mesmos, não se resolviam apenas com uma calculadora. Por mais que tentasse, não cabia tudo na balança, e quando diminuía sete de 10, escorregavam seis.

Melhor seria beber, mas embriagado não veria a noite, que já era escura demais e difícil de apreciar. Fumar, não traria clareza aos pulmões, os quais adoravam o cheiro e temperatura do orvalho. Já havia bebido e fumado, nada mudava o fato de que a noite estava linda, que o dia seria confuso e de que a cama estaria vazia. Resolveu então, vencida pelo cansaço da madrugada, esquecer toda a aritmética, todos os corpos e sentimentos, e dormir.

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